Expansão do domínio brufsc.bitnet em Santa Catarina

Em meados de 1992, via um acordo firmado entre UFSC, SED, UDESC e ACAFE, o acesso à BITNET através da utilização do domínio brufsc.bitnet é viabilizado para outras instituições do estado de Santa Catarina por intermédio de um enlace existente entre o mainframe do CIASC e o IBM 3090 da UFSC. A utilização da rede se dava através do acesso disponibilizado nas unidades da Secretaria de Educação, ou seja, as universidades que desejavam acessar a rede se deslocavam para a unidade da Secretaria de Educação de seu município e a partir de lá utilizavam a rede através de um terminal IBM 3270 conectado a rede do CIASC. A utilização da rede na época se dava através da utilização de serviços como correio eletrônico e transferência de arquivos. Todas as contas para uso do correio eletrônico eram criadas no mesmo domínio @brufsc.bitnet independente da afiliação do usuário.

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Expansão do domínio brufsc.bitnet para o estado através da Secretaria da Educação do Estado via CIASC.

RCT-SC implanta conexões de alta velocidade em Florianópolis

Aproveitando o momento de avanços tecnológicos no Estado com a criação  da  RCT-SC, em 1996 é implantado o primeiro segmento de alta velocidade na  rede acadêmica em Florianópolis. Esta iniciativa ficou conhecida como RMCT (Rede Metropolitana de Ciência e Tecnologia).

Esta rede interconectava o Campus Reitor João David Ferreira Lima da UFSC, UDESC, campus CCA/UFSC, EPAGRI, CIDASC, Secretaria de Agricultura e FUNCITEC através de fibra ótica single-mode entre UFSC e UDESC, e multi-mode entre UFSC e outras instituições.

Tratava-se de uma rede que faz uso das tecnologias ATM (Asynchronous Transfer Mode) e Ethernet, que atuava com protocolos IP sobre LANE e IP sobre Ethernet e possuía as capacidades de 155 Mbps através de ATM e 10 Mbps através de Ethernet contando com os equipamentos IBM 8260 e IBM 8271, respectivamente.

Desde sua criação, em 1996, até o ano de 2005, a RMCT não sofreu expansão física significativa, permanecendo praticamente inalterada neste perído. No entanto, neste intervalo de tempo, houve aumento da capacidade da conexão entre os pontos de presença do PoP-SC (RNP) e o PoP-UDESC (RCT-SC) que passou a operar com 622 Mbps em ATM e o aumento da capacidade de conexão das outras instituições que passou de 10 Mbps em Ethernet para 155 Mbps em ATM, em função de equipamentos que operaram da RMAV-FLN. A sua abrangência ainda era bastante restrita, conectando somente prédios da UFSC no bairro Trindade e instituições no bairro Itacorubi, fazendo com que demais unidades na região metropolitana da cidade (Florianópolis, São José e Palhoça) tivessem que se conectar à RCT-SC em baixa velocidade de 128 Kbps a 2 Mbps.

RCT-SC cresce em número de instituições conectadas

Em 1997, existiam mais de 50 instituições conectadas na Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia – RCT-SC. Somente parte delas se conectaram diretamente ao POP-SC, as demais se conectaram a UDESC, FURB, UNISUL, entre outras. Conexões típicas para estes enlaces utilizavam tecnologia de transmissão LPCD (Linha Privativa de Comunicação de Dados) em par metálico fornecido por operadoras com velocidades típicas de 19,2 Kbps, 64 Kbps (maioria), 128 Kbps e 2 Mbps.

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Backbone RCT-SC em 1997

PoP-SC implanta Sistema Autônomo de Internet (AS) para melhoria da conectividade

No ano de 1998, o PoP-SC representado pela UFSC, solicita à ARIN (American Registry for Internet Numbers) o ASN (Sistema Autônomo de Internet). A solicitação do ASN tinha por objetivo separar o tráfego acadêmico do comercial e possibilitar uma melhor conectividade entre a RNP e RCT-SC. Na época, os termos da solicitação encaminhados à ARIN pelo coordenador de redes da UFSC e PoP-SC, foram:

The  Federal University of Santa Catarina (UFSC) receive the Point of Presence of RNP (Brazilian Research Network) in the Santa Catarina State (POP-SC). At the moment the POP-SC belong to the AS 1916 and have connections with the AS 8167 – TELESC, with the AS 10715 – RCT-SC and With the AS 10875 – POP-RS and others. 

In the next months the RNP (Brazilian Research Network) pretend divide the academic traffic and commercial traffic. In this perspective the POP-SC  and UFSC are creating  one routing policy with two main objectives: 

1) Optimize Internet traffic with direct connected networks (AS); 

2) To separate commercial and academic traffic in the manner that only academic traffic go to RNP ; 

In order to this policy can be implemented is necessary allocate one ASN for the POP-SC. 

Nesta época, as solicitações de recursos de ASN eram realizadas diretamente à ARIN através de um formulário próprio, que requeria informações sobre a entidade solicitante, informações sobre o roteamento, endereços de rede, dentre outras informações, que deveria ser encaminhado como parte do processo para obtenção do Número de Sistema Autônomo. Existia uma taxa de adesão e manutenção anual do sistema autônomo que era paga diretamente à ARIN. Posteriormente, foi criado o LACNIC para representar os países da América Latina e Caribe, e com isso, os ASNs foram transferidos da ARIN para sua administração. A partir de então houve a decisão  de isentar o  pagamento pelos recursos de ASN e numeração para entidades de educação e pesquisa o que incentivou o uso para instituições finais.

Ainda no ano de 1998, a solicitação de recursos de ASN foi realizada com sucesso e o PoP-SC recebeu o ASN 11242 para utilizar inicialmente para alocar os serviços comerciais. Logo após receber o ASN, o PoP-SC o implanta em sua infraestrutura utilizando o protocolo de roteamento BGP. Em Santa Catarina, já existia o ASN 10715 que era utilizado para as instituições de ensino e pesquisa.

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Diagrama do funcionamento da rede autônoma no PoP-SC.

 

No ano de 2017, ambos os recursos ainda são utilizados. O ASN 11242 está sendo utilizado somente para o PoP-SC operar a rede e seus serviços, além de ter a função principal de AS de transito para todas as universidades conectadas ao PoP-SC. Já o ASN 10715 é utilizado para rotear os blocos IPs 200.135/16, 200.18/20 e 200.19.96/20 de uso compartilhado entre as instituições de Santa Catarina que não se tornaram um sistema autônomo ou estão em fase de transição.

A adoção de sistemas autônomos é fomentada pelo PoP-SC, principalmente através de seus Workshops de Tecnologia de Redes (ações diretas nas edições de 2012 e 2014), além de outras ações como palestras, treinamentos e suporte para convencer da importância do seu uso. Percebe-se que estas ações de fomentação estão sendo efetivas, dado que em 2017 já se tem uma adesão de 43% das Instituições qualificadas pela RNP em 2017. Em setembro de 2017 o ASN 11242 faz transito para 13 ASNs, possui 2 provedores de transito (RNP e FAPESC) e 1 conexão de Peering com o IX.br.

Conexões entre o ASN 11242
Conexões entre o ASN 11242

RMAV-FLN – Rede Metropolitana de Alta Velocidade de Florianópolis

No ano anterior, 1997, no mês de outubro, a RNP e o Protem lançaram com o apoio do CNPq o edital “Projetos de Redes Metropolitanas de Alta Velocidade” para promover a criação de infraestrutura e serviços de rede de alta velocidade em diversas regiões do país. Tratava-se do primeiro passo para a implantação do novo backbone RNP2.

Este edital resultou na formação de 12 consórcios trabalhando através do Projeto RMAV – Redes Metropolitanas de Alta Velocidade em diversas frentes de aplicação de redes de alta velocidade, com o objetivo de alavancar a introdução e o desenvolvimento local de aplicações sofisticadas, com uso intensivo de recursos interativos e multimídia e também para capacitar recursos humanos na perspectiva de operar e apoiar o desenvolvimento de redes baseadas em tecnologias de última geração.


Vídeo de divulgação da RMAV-FLN

Em setembro de 1998 é submetido  o projeto para a criação da Rede Metropolitana de Alta Velocidade de Florianópolis (RMAV-FLN) por meio de uma parceria entre UFSC, UDESC, TELESC, EPAGRI/CLIMERH. O projeto foi submetido em resposta ao edital da RNP e ProTem (Programa Temático Multiinstitucional em Ciência da Computação)/CNPq de Redes Metropolitanas de Alta Velocidade – RNP/Internet2. A coordenação do projeto na UFSC ficou a cargo do NURCAD/UFSC (Núcleo de Redes de Alta Velocidade e Computação de Alto Desempenho).

Em 1999 o projeto é aprovado e a RMAV-FLN é construída como uma rede experimental para aplicações avançadas, com capacidades entre 155 Mbps e 622 Mbps no backbone e entre 25 Mbps e 155 Mbps no acesso. A rede utilizava tecnologias de enlace ATM LAN Emulation, ATM Classical IP e MPOA. A rede foi projetada de maneira a integrar as redes das instituições participantes, promovendo melhorias na qualidade dessas redes.

No total o projeto RMAV-FLN teve uma duração de 26 meses, entre abril de 1999 e maio de 2001. Após o término do projeto, as instituições permaneceram conectadas, porém não foram realizados mais experimentos. Os principais resultados do projeto foram:

  • Implantação e operação da Rede Metropolitana de Alta Velocidade de Florianópolis;
  • Criação de estrutura e condições para administrar a rede de forma eficiente e segura;
  • Realização de experimentos em aplicação de multimídia distribuída; e
  • Capacitação de pessoal e instituições para operar, gerenciar e implementar melhorias em redes de tecnologia ATM.