Instalação de Ponto de Presença da RNP marca inicio da Internet em Santa Catarina

No início de 1992, a UFSC recebe o Ponto de Presença da RNP em Santa Catarina (PoP-SC) e assim se torna a primeira instituição do estado a se conectar à RNP, estabelecendo conexões com Porto Alegre (UFRGS), Rio de Janeiro (LNCC) e Curitiba (Celepar), de acordo com o plano de conectar as capitais estaduais através do backbone nacional. Cada enlace implantado tinha capacidade de 9,6 Kbps, totalizando uma capacidade agregada de 28,8 Kbps. O protocolo de transporte utilizado foi o IP (Protocolo de Internet) utilizando a tecnologia de transmissão LPCD (Linha Privativa de Comunicação de Dados).

Ampliada para 2 Mbps a conexão do PoP-SC ao backbone da RNP

No ano de 1995 a conexão do PoP-SC ao backbone nacional da RNP tem sua  capacidade ampliação de 28,8 Kbps para 2 Mbps,  mantendo a mesma tecnologia de transmissão LPCD (Linha Privativa de Comunicação de Dados) e protocolo de transporte IP (Protocolo de Internet). Esta atualização proporcionou um aumento da capacidade em mais de 71 vezes em relação a capacidade agregada anterior.

Nesta época,  a conexão ao backbone  nacional da RNP em  Santa Catarina sofre mudança de topologia, sendo mantida apenas a conexão para Porto Alegre. As demais conexões para Curitiba e Rio de Janeiro foram descontinuadas. Esta nova topologia permanece inalterada até o ano de 1999.

No ano de 1997, 31 conexões de instituições catarinenses eram providas diretamente pelo PoP-SC.

Iniciativas PoP-SC, RCT-SC e redeUFSC são interconectadas via rede ATM

A partir de 1998, a tecnologia de rede ATM (Asynchronous Transfer Mode) passa a ser utilizada para interconectar redeUFSC, PoP-SC e RCT-SC. O PoP-SC nesta época implanta o ATM em sua rede local. A RCT-SC inicia a implantação do ATM neste ano em sua rede.

Foram utilizadas as tecnologias de enlace ATM LANE (ATM Local Area Network Emulation), ATM Classical IP e MPOA (Multi-Protocol Over ATM), que facilitavam a troca de dados em uma LAN (Local Area Network) através de um backbone ATM. A tecnologia também possibilitava a integração da rede ATM com os protocolos LAN – Ethernet, Token Ring e TCP/IP.

PoP-SC implanta Sistema Autônomo de Internet (AS) para melhoria da conectividade

No ano de 1998, o PoP-SC representado pela UFSC, solicita à ARIN (American Registry for Internet Numbers) o ASN (Sistema Autônomo de Internet). A solicitação do ASN tinha por objetivo separar o tráfego acadêmico do comercial e possibilitar uma melhor conectividade entre a RNP e RCT-SC. Na época, os termos da solicitação encaminhados à ARIN pelo coordenador de redes da UFSC e PoP-SC, foram:

The  Federal University of Santa Catarina (UFSC) receive the Point of Presence of RNP (Brazilian Research Network) in the Santa Catarina State (POP-SC). At the moment the POP-SC belong to the AS 1916 and have connections with the AS 8167 – TELESC, with the AS 10715 – RCT-SC and With the AS 10875 – POP-RS and others. 

In the next months the RNP (Brazilian Research Network) pretend divide the academic traffic and commercial traffic. In this perspective the POP-SC  and UFSC are creating  one routing policy with two main objectives: 

1) Optimize Internet traffic with direct connected networks (AS); 

2) To separate commercial and academic traffic in the manner that only academic traffic go to RNP ; 

In order to this policy can be implemented is necessary allocate one ASN for the POP-SC. 

Nesta época, as solicitações de recursos de ASN eram realizadas diretamente à ARIN através de um formulário próprio, que requeria informações sobre a entidade solicitante, informações sobre o roteamento, endereços de rede, dentre outras informações, que deveria ser encaminhado como parte do processo para obtenção do Número de Sistema Autônomo. Existia uma taxa de adesão e manutenção anual do sistema autônomo que era paga diretamente à ARIN. Posteriormente, foi criado o LACNIC para representar os países da América Latina e Caribe, e com isso, os ASNs foram transferidos da ARIN para sua administração. A partir de então houve a decisão  de isentar o  pagamento pelos recursos de ASN e numeração para entidades de educação e pesquisa o que incentivou o uso para instituições finais.

Ainda no ano de 1998, a solicitação de recursos de ASN foi realizada com sucesso e o PoP-SC recebeu o ASN 11242 para utilizar inicialmente para alocar os serviços comerciais. Logo após receber o ASN, o PoP-SC o implanta em sua infraestrutura utilizando o protocolo de roteamento BGP. Em Santa Catarina, já existia o ASN 10715 que era utilizado para as instituições de ensino e pesquisa.

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Diagrama do funcionamento da rede autônoma no PoP-SC.


No ano de 2017, ambos os recursos ainda são utilizados. O ASN 11242 está sendo utilizado somente para o PoP-SC operar a rede e seus serviços, além de ter a função principal de AS de transito para todas as universidades conectadas ao PoP-SC. Já o ASN 10715 é utilizado para rotear os blocos IPs 200.135/16, 200.18/20 e 200.19.96/20 de uso compartilhado entre as instituições de Santa Catarina que não se tornaram um sistema autônomo ou estão em fase de transição.

A adoção de sistemas autônomos é fomentada pelo PoP-SC, principalmente através de seus Workshops de Tecnologia de Redes (ações diretas nas edições de 2012 e 2014), além de outras ações como palestras, treinamentos e suporte para convencer da importância do seu uso. Percebe-se que estas ações de fomentação estão sendo efetivas, dado que em 2017 já se tem uma adesão de 43% das Instituições qualificadas pela RNP em 2017. Em setembro de 2017 o ASN 11242 faz transito para 13 ASNs, possui 2 provedores de transito (RNP e FAPESC) e 1 conexão de Peering com o IX.br.

Conexões entre o ASN 11242
Conexões entre o ASN 11242

Ampliada capacidade da conexão do PoP-SC com a RNP usando tecnologia ATM

No ano de 2000, o PoP-SC recebe os enlaces da RNP utilizando a tecnologia ATM (Asynchronous Transfer Mode), substituindo a tecnologia de transmissão LPCD (Linha Privativa de Comunicação de Dados) implementada anteriormente. Em cima destes enlaces foi utilizado a tecnologia de Circuitos Virtuais sobre a tecnologia ATM. Esta tecnologia permitiu alocar circuitos dinâmicos conforme a demanda. Todos os circuitos ATM foram providos pela operadora Embratel. A tecnologia ATM foi utilizada até 2003, mantendo a mesma topologia com banda agregada alocada sob demanda.

Inicialmente, a capacidade agregada foi de 16 Mbps, ou seja, 2 enlaces de 8 Mbps cada, sendo um para São Paulo e outro para Rio de Janeiro. Estes enlaces substituíram o enlace do Rio Grande do Sul, trazendo melhorias como dupla abordagem e aumento da capacidade em 8 vezes em relação a fase anterior. Este modelo chegou a atingir uma banda agregada de 54 Mbps (36 Mbps para Rio de Janeiro e 18 Mbps para São Paulo), tendo um aumento superior à 3 vezes a capacidade alocada no início da fase ATM. As larguras de bandas intermediárias eram alocadas conforme a demanda, que podiam mudar de mês a mês. O equipamento instalado no PoP-SC para receber os enlaces da RNP foi um Cisco 7500, com uma interface ATM e duas interfaces Fast Ethernet.

A partir de 2002, os enlaces começaram a ser entregues utilizando rádio enlace de 155 Mbps. Neste enlace, os circuitos dinâmicos eram alocados conforme demanda construídos através de PVC ATM (Permanent Virtual Circuit ATM). Internamente, o PoP-SC predominantemente adotou a tecnologia ATM. A conexão com a RMAV-FLN tinha capacidade de 622 Mbps. As redes locais eram emuladas através do protocolo LANE (Lan Emulation), onde o switch possuía uma interface ATM para conexão ao backbone e interfaces Ethernet/FastEthernet para conexão de hosts. A emulação da rede era realizada através do roteador IBM-MSS, que além de realizar o roteamento era um servidor de configuração de redes virtuais emuladas LECS (LAN emulation configuration server).

A mudança de tecnologia do backbone da RNP demarca o fim do primeiro backbone implantado e o início do novo backbone acadêmico, que ficou conhecido com RNP2. A implantação do novo backbone acadêmico seguiu as tendências das redes acadêmicas no resto do mundo, nas quais se buscava expandir a rede acadêmica brasileira e interconectar esta rede as iniciativas acadêmicas internacionais como RedClara (América Latina), Internet2 (Estados Unidos) e Géant (Europa).